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quinta-feira, 30 de agosto de 2012


Olá pessoal!
Quem não guarda na memória momentos especiais de alegria, contentamento, júbilo? Lembranças de lugares, tempos e situações inusitadas vividas intensamente? Experiências que, ao recordar, causam risos dispersos, imensa satisfação e saudades. Então por que não compartilhar essas experiências com outras pessoas? Traduzi-las em poesia ou prosa?
Casimiro de Abreu   talvez ao refletir sobre isso, não pensou duas vezes! Registrou a infância no campo com tanta  intensidade, amor e lirismo que o poema “Meus Oito Anos” tornou-se uma bela referência em nossa literatura brasileira. Segue abaixo o poema:



MEUS OITO ANOS

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
Como são belos os dias
Do despontar da existência!
— Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é — lago sereno,
O céu — um manto azulado,
O mundo — um sonho dourado,
A vida — um hino d'amor!
Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!
Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!
Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
— Pés descalços, braços nus
— Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!
Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!
................................
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
— Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!


Uma breve referência biográfica:
Casimiro de Abreu foi um poeta brasileiro. Autor de "Meus Oito Anos", um dos poemas mais populares da literatura brasileira. Pertence a segunda geração do Romantismo. Vai com o pai para Portugal, onde inicia sua vida literária. É nesse período que escreve a maior parte dos poemas de seu único livro "Primavera". Escreve a peça "Camões e o Jau", que é encenada no Teatro D. Fernando, em Lisboa. Casimiro é patrono da cadeira nº 6 da Academia Brasileira de Letras.


Casimiro de Abreu (1839-1860) Nasceu em Barra de São João, Estado do Rio de Janeiro, no dia 4 de janeiro. Era filho do rico comerciante português, José Joaquim Marques de Abreu. Com apenas 13 anos, por ordem do pai, seguiu para o Rio de janeiro, para trabalhar no comércio. Com difícil adaptação, acompanha o pai em viagem para Portugal, em novembro de 1853.

Viveu três anos em Portugal, onde iniciou sua carreira literária e escreveu a maior parte de seus poemas. No dia 18 de janeiro de 1856, sua peça "Camões e o Jau", é encenada no Teatro D. Fernando, em Lisboa. Em julho de 1857, volta para o Brasil e conhece vários intelectuais, faz amizade com Machado de Assis, ambos com 18 anos de idade.

Casimiro de Abreu escreveu pouco, mas, seu lirismo de adolescente retratado em sua poesia, que girava em torno do amor, da tristeza da vida, da saudade da Pátria e da saudade da infância, o tornou o poeta mais popular da literatura brasileira. Seu poema "Meus oito anos", escrito em Lisboa em 1857, retrata bem a nostalgia da infância: Oh! que saudades que tenho/Da aurora de minha vida,/Da minha infância querida/Que os anos não trazem mais!/Que amor, que sonhos, que flores,/Naquelas tardes fagueiras/A sombra das bananeiras,/Debaixo dos laranjais!.

Em 1859 publica seu único livro de poemas "Primaveras", onde a maior parte das poesias foram escritas em Lisboa, entre elas, "Minha Terra", "Meus Oito Anos", "Segredo" e "Minha Alma é Triste". Em 1860, fica noivo de Joaquina Alvarenga Silva Peixoto. Casimiro vivendo uma vida boêmia, contrai tuberculose e vai para Nova Friburgo tentar a cura da doença.

Casimiro José Marques de Abreu, não resiste a doença e morre com apenas 21 anos, no dia 18 de outubro de 1860, em Nova Friburgo, Rio de Janeiro.

Obras de Casimiro de Abreu
Camões e o Jau, teatro, 1856
Carolina, romance, 1856
Camila, memória, 1856
A Virgem Loura, prosa
Primaveras, poesias, 1859

Abraços, Ade Bueno.


3 comentários:

SARAH MARIA disse...

esse poema me chamou muita atenção pois ele me fez ver o quanto que eu tenho q valorizar a minha família pois quando eu crescer só terei tempo para trabalhar e terei muitos compromissos não tendo mais tempo para brincar e me entreter com minha família.

Amanda Rachel disse...

Lindo esse poema em? Ele faz a gente refletir que quando nós crescermos não teremos muito tempo para as coisas e que se não aproveitarmos o hoje e realizarmos o que queremos, mais pra frente pode ser tarde. Por isso devemos aproveitar cada momento, fazer coisas divertidas e que a gente se sinta bem, pois o tempo passa e não volta, e no futuro só guardaremos as lembranças (saudade).

bryan disse...

gostei desse poema por que fala que devemos valorizar a nossa familia

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